Sexta-feira, Junho 05, 2009

"E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também."
Caio F. de Abreu

Texto copiado na cara dura do blog da Ana. Que por sinal, esse é o link:
http://anettasspotlessmind.blogspot.com/

Quarta-feira, Junho 03, 2009

1º de julho: o grande dia!

Muito bem, está marcado: dia 1º de julho sai o casamento!
Etapa nova, sobrenome novo, e tals. Clarissa Almenara. Viu que coisa?
As alianças já estão compradas, os papéis ajeitados e os noivos decididos (e empolgados)!
Tem hora que eu penso e nem parece estar acontecendo comigo...
É uma delícia mexer na gaveta de coisas novas (os jogos de lençol, as toalhas, os paninhos bordados...) e pensar que isso tudo um dia vai estar na nossa casa (ou apartamento, ainda temos que acertar essa pendência). Mais gostoso ainda é pensar que eu não vou mais passar frio à noite, que vai ter sempre alguém para assistir um desenho comigo aos sábados, para me dar uma dura quando eu quiser fazer corpo mole, para fazer mil e quinhentos planos para o futuro. Alguém que eu amo tanto e de quem quero estar perto sempre.
E começa a contagem regressiva!
27 dias.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Casório!

Não é incrível o quanto a nossa vida pode mudar em questão de um mês?
Vou simplificar: talvez dentro de um mês ou dois eu me mude para uma nova cidade, com um novo estilo de vida, um novo emprego e um novo estado civil. Não é ótimo?
Pois é gente.
Tudo se encaixou de um jeito tão perfeito, que não tinha como não ser.
A nova cidade é Peruíbe, e o meu futuro (é assim que o Fernando me apresenta para os outros: essa é a futura...) vai trabalhar lá também.
Tão feliz que não existe espaço suficiente para expressar.

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

Então...

...o blog vai ficar às moscas por um tempo. Nesse domingo estou de mudança. Vão começar a fazer uma reforma infernal em casa e o meu recanto ficará inutilizável por no mínimo uns dois meses. Então, já arranjei uma casinha muito ajeitadinha perto da escola, e lá ficarei até que tudo termine por aqui.
Não que isso vá fazer muita diferença, ultimamente não tenho escrito muita coisa mesmo.
Um ótimo ano novo cheio de coisas novas pra todo mundo, e até qualquer dia.

Terça-feira, Novembro 11, 2008

Resoluções de Aniversário

* Ir para a faculdade e assistir à aula (isso significa não ficar na cantina, nem na pracinha, nem dando voltas pela rua, nem ir ao bar, nem ficar na porta da sala conversando).
* Chegar aos 55 quilos (¬¬).
* Estudar Italiano de verdade (pra não ficar olhando com cara de boba quando o professor perguntar: Hai capito tutto quello ho detto?).
* Parar de comer porcaria o tempo todo (ou seja, trocar bolacha recheada por bolachinhas integrais, trocar a barra chocolate de 170 gramas por um Talento daqueles pequenininhos, e café só com adoçante).
* Fazer academia nas férias (esse meu braço cheio de pelanca não está com nada).
* Ser capaz de dançar um tango decente sem tropeçar (com bunda empinada e tudo).
* Parar de chegar atrasada no serviço.
* Guardar dinheiro pra comprar a casa (como se fosse fácil mesmo...)
* Decidir o que eu quero fazer realmente da minha vida (a época de crise existencial já passou... Será que Hotelaria e Turismo seria uma boa?)
* Garantir que as resoluções do próximo ano sejam: começar a falar russo, fazer dança do ventre, escolher que cor será a parede da minha sala nova, e blablablá...

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Conclusões de uma auto-psicanálise furada - Parte V

Está namorando agora, hein?
Muito bem. Tenho orgulho por você. Sabe como é, dá gosto perceber que todas as nossas sessões não são em vão.
O problema é que novas situações trazem novos questionamentos. Vamos a eles:
Acredito que esse é o cara mais normal que já apareceu em toda sua vida: gosta de futebol, de filmes com muitos tiros e sangue, entende tudo o que você diz do jeitinho que você disse (sem ficar captando nada nas entrelinhas), entende de carro, nem tanto de livros e não tem vergonha de dizer que não sabe o que é dança moderna. Resumindo, não é sua versão masculina. É realmente, genuinamente, uma outra pessoa.
Portanto, você não vai ouvir "eu também" a cada frase que disser. Tipo daquela vez. Ele: Olha! Vermelho... Você: É, eu gosto de vermelho. Ele: Hm... não ligo muito pra vermelho, não. Você: ¬¬
Não se esqueça: faz pouco tempo que vocês estão juntos. Vá com calma. Deixe que as coisas aconteçam naturalmente, não morra de amores tão já, mas também não sufoque qualquer sentimento que quiser aparecer. Se você fizer isso a coisa perde o sentido, sabe? Pra que ficar com alguém se gastamos boa parte do tempo em eliminar qualquer sentimento que essa pessoa possa despertar?
Ah... você comentou que ele é meio quieto, faz o tipão misterioso. Não se atormente achando que ele não se sente à vontade com você. Intimidade leva tempo para ser construída. Ou você vai me dizer que ele já te viu sem maquiagem? Viu só? Cada um com suas reservas.
Outra coisa: não se martirize por sentir vontade de mandar uma mensagem dizendo que sentiu saudade ou desejando que ele tenha uma boa tarde. Eu sei, eu sei, sua cabeça tem que estar muito virada pra fazer uma coisa dessas. Mas se sentir vontade, faça. Essa demonstração de interesse às vezes é o que falta para que o interesse da outra pessoa também cresça. Compreendo seu medo de bancar a pegajosa, mas se você der espaço demais, a coisa acaba virando um abismo.
Aproveite os momentos. É difícil baixar a guarda, mas pode trazer resultados muito satisfatórios.
Acho que é só por hoje. Já é mais do que suficiente para te fazer pensar.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Conclusões de uma auto-psicanálise furada - Parte IV

Você já parou para pensar por que está fazendo essa faculdade? Por uma necessidade absurda de aprovação e reconhecimento dos outros.
Vamos comer o prato pelas beiradas: quem é responsável por dar segurança à menina no que diz respeito à aprovação masculina? O pai. Você teve essa segurança? Não. Você mal teve pai, certo?
O que aconteceu? A menina descobriu que podia ter essa segurança através da aprovação dos professores na escola, porque a mãe não tinha o papel de aprovar e reconhecer, apenas de instruir e cuidar.
Então começa o seu histórico de competitividade no meio escolar. Essa é a razão de você ter passado uma infância meio isolada e solitária. Não é culpa das outras crianças, mas culpa sua. Ninguém queria aturar a metida-que-pensa-que-sabe-tudo.
Está ficando mais clara a linha de raciocínio que estou seguindo aqui?
Aliás, você ainda tem esse comportamento competitivo, viu. Em partes é uma coisa boa, mas não deixe isso tomar conta de você. Em outras palavras, não odeie aquela moça da sua sala porque ela vai melhor em algumas disciplinas do que você.
Clarissa no divã: Mas que fique registrado que ela não vai melhor, ela é apenas uma puxa-saco do caramba que não cala a boca e tem que opinar sobre tudo.
Só não odeie a moça e já está de bom tamanho.
Voltando às conclusões da sessão de hoje, veremos que logo cedo começou o seu interesse pelas letras. Sabe por que Matemática não a agradava? Se duas pessoas acertam uma conta, não fizeram mais do que a obrigação de enteder o conteúdo. Mas se alguém consegue fazer uma redação que ocupe três folhas do caderno enquanto o resto da sala padece para escrever cinco linhas, isso traz reconhecimento e um sorriso de satisfação da professora.
Portanto, pare de arranjar desculpas: você não tem discalculia, nem problemas cognitivos com números. Você os ignorou sumariamente por não preencherem suas expectativas de reconhecimento.
Antes de ir embora agende a próxima consulta. O tratamento ainda não acabou. Até mais ver.

Domingo, Agosto 17, 2008

E lá vamos nós...

...até chegar àquele ponto em que começamos a sentir saudades e até insistimos em gravar um CD idiota que, talvez, nunca será entregue.
Não que seja um CD bonitinho, é só um CD de dança de salão como o de todo mundo. Só não gravei até agora pra ver ele pedir outra vez. Ô gênio ruim do inferno, viu!

Quinta-feira, Julho 10, 2008

Clarissa dando aula (olha o fiasco...)

Eu não poderia sair de férias sem nem ao menos entrar numa sala de aula, ainda mais quando estou trabalhando em uma escola. Pois bem, fui atender a sala de uma professora, iludida pelo é-só-cinco-minutinhos. Doce engano.
Era a 2ªC, conhecida também como a sala dos encapetados. Foi Clarissa inocentezinha com um punhado de canetas coloridas e um sorriso de "sou-uma-professora-adorável" para a sala. Acho que tinha uns 25 alunos. Pedi que todos abrissem o caderno e copiassem o que iria ser passado na lousa. Quando virei para ver se todos estavam fazendo, o menino que senta bem na frente da mesa da professora estava meio que apanhando de um dos meninos do fundo. Dei uma dura nele com a minha cara menos simpática e mandei sentar. Perguntei por que ele não fazia a tarefa.
"Eu não sei, professora. Tenho um problema na cabeça."
"É, prô!", disse a menina que sentava atrás dele, "Ele é louquinho mesmo."
"Não pode falar assim. Você não ia gostar se dissessem isso sobre você."
"Não, prô, eu sou louco mesmo", engrossa o menino.
"Tá, mas o que você fica fazendo durante a aula?"
"Uma tarefa diferente de todo mundo. Olha meu caderno."
"Hm... muito bem, vou dar uma tarefa especial para você, então." E passei aquela musiquinha Capelinha de Melão para ele copiar. Não me julguem! Era a única coisa que eu tinha, e não sou lá muito adepta do construtivismo.
Era uma atividade sobre número de sílabas e tal. Tive uma dificuldade enorme para explicar sobre divisão silábica sem enveredar a falar em vogais e semivogais. Não tem que agumentar com eles, você é a professora dessa vez. A própria fonte do conhecimento! Tipo uma deusa num pedestal. O que você disser vai ser a verdade e ponto final.
Ai, Jesus, tenho que agradecer todo dia por não ter feito pedagogia.
A hora do recreio estava chegando, minha voz estava indo embora porque ninguém queria saber o que era uma palavra polissílaba, e quatro pentelhos insistiam em se bater e subir nas cadeiras.
O sinal tocou. Corri até à porta para conter o povinho.
"Se não fizer fila, me der a mão e se comportar feito gente até chegar ao pátio, volta todo mundo pra sala e fica sem recreio."
Hm... surtiu efeito.
Olhares surpreendidos se voltaram para mim e a turma, ninguém acreditava que a mocinha-da-secretaria estava com a sala dos encapetados. Deixei o pessoal no pátio e fui para a secretaria. Peguei minha canequinha, pus água, coloquei para esquentar no microondas da sala dos professores e fiquei olhando girar por dois minutos, esperando que aquilo trouxesse minha voz de volta e levasse a dor de cabeça embora. Coloquei o saquinho de chá na caneca e fiquei naquele põe-e-puxa até que ficasse bom.
Uma colherinha de açúcar? Vou por duas, que se dane.
Tomei. A professora da sala aparece.
"Preciso que você fique com eles depois do recreio. Não tem problema?"
"Nããão, imagina."
O novo round começa. Todo mundo, de repente, fica com dor de cabeça, dor de ouvido, dor de barriga e quer ligar para que a mãe venha buscar. Uma das meninas está realmente mal e começa a chorar. O "louquinho" decide se compadecer da garota e fica gritando pedindo silêncio. Os outros garotos que já não vão muito com a cara dele começam a bater no coitado. Mando todo mundo sentar. Dois não obedecem de jeito nenhum e começam a correr como doidos. Chego perto e dou um berro mandando sentar pelamordedeus. Então, o louquinho decide bancar o justiceiro e tenta por os meninos para sentar na base da estojada.
"Não faça isso! Para agora! Vai sentar!"
Bom, gritar não adiantou. Eu tinha que entrar na briga.
Até deu para separar os três, só que levei umas boas estojadas na cabeça também.
Como eles puderam fazer isso comigo? Justo eu, a fonte do conhecimento, a deusa no pedestal e tudo mais?
Comecei a repensar todas as escolhas que tinha feito. Será que trancar a matrícula da faculdade e me mudar para Engenheiro Coelho no internato seria inviável? Será que dá tempo fazer a faculdade de Tradutor ainda? Estava com uma puta vontade de chorar e sair correndo.
Mas sabe, se eu disser que todos eram encapetados é mentira. Alguns eram realmente uns amores. Quando estava para ir embora, um deles se aproximou (o único que entendeu quando expliquei porque nós dividimos ba-le-ia e não ba-le-i-a), e perguntou:
"Professora, como é seu nome?"
"Clarissa."
"Eu sou o Rafael (esqueci o sobrenome dele... tinha uns três com o mesmo nome na sala)."
"Gostei de você e da sua aula também."
Juro que eu abracei o molequinho como nunca abracei o meu irmão na vida.
"Obrigada, querido. Também gostei muito de você."
Bom, e o dia teve um final feliz.

Essa semana estava na hora do intervalo pelo pátio, meia dúzia de crianças vieram esticando o braço e dizendo: "Oi, prô!!"
Uma das meninas, a mais linguaruda de todas, a mesma que disse que o menino era louquinho, sentou ao meu lado no banco e disse:
"Prô, você vai dar aula para nossa sala hoje?"
"Não, vocês já tem uma professora."
"Eu sei, mas ela não sabe nada. Se você quiser, a gente pede para ela ir embora pra você dar aula pra gente."
Clarissa toda feliz por dentro. =D
"Não... eu já estou fazendo outra coisa."
"Ah... tchau, prô. Vou pra fila."

Voltei para secretaria sabendo que talvez, talvez!, ser professora não é um sonho assim, tããão impossível.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Aula de samba desse domingo...

Essa sou eu dançando com o Renan! ^^ Pena que o vídeo ficou escuro. A música parece bossa nova, mas na verdade é samba de gafieira. Gosto dos sambas mais nervosos, como diz o Renan. Acontece que essa é a música preferida dele, e como ele é quem tem o controle do som...

Hehehe... Ainda não estou aquelas coisas. Falta arrumar a postura, pisar com mais vontade, olhar para a pessoa com quem estou dançando (não para o chão!), e tals. O resto é resto, e o bom é que é bom.

Sábado, Junho 28, 2008

Once gone black, never come back

Antes que alguém pergunte, é só um momento de introspecção. Acho que é um momento de cinco segundos, ou cinco dias. Talvez cinco meses, não sei.
Qualquer dia desses, o blog fica amarelo.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

It's a moo point.

Joey: Hey, Rach, the big question is: does he like you? Because if he doesn't like you, it's all a moo point.
Rachel: A moo point?
Joey: Yeah. It's like a cow's opinion. It just doesn't matter. It's moo.
(Um dos meus diálogos preferidos de Friends)
...
Tem um grafiteiro aqui na cidade chamado Gadão. Isso mesmo, Gadão. Eu simplesmente adoro os grafites, e tinha muita vontade de fotografar. Acontece que eu não ando com máquina fotográfica pela cidade. Então descobri que eu não era a única admiradora dos grafites. O Gon tinha um álbum inteiro do orkut dedicado às simpáticas vaquinhas e boizinhos. E com a permissão dele, aqui estão as fotos:

Amo essa foto da Antonieta! E a edição do Gon ficou linda também.







Quinta-feira, Junho 19, 2008

Achei esse texto hoje, assim, no meio das coisas perdidas e das folhas de caderno do segundo ano. Ele é bem velhinho e faz uns três anos que foi escrito.
Escrito por uma clarissa bobinha. Cada clarissa com seus problemas.
Nunca me deixei sonhar demais, muito menos sonhos impossíveis. Mas se fosse assim, tão fácil, não seria sonho, não? Seria projeto, ambição, plano. Sonho é diferente, sonho não é só feito do como seria. É um momento mágico, em que os problemas deixam de existir e tudo se torna num mar cor-de-rosa de possibilidades, que sorri e diz, vem me navegar! É como aquele chocolate que fica derretendo no céu da boca, a língua passeia-o para lá e para cá, com medo de morder e dar fim àquele contentamento secreto. Um plano tem começo, meio e fim. Sonho, não. Um vai puxando o outro, parece que nunca temos o bastante, mas ao mesmo tempo, sempre sorrimos por dentro. E hoje, acordei assim. Qual o motivo dessa alegria? Ah... sonhei com você. Sim, e foi do jeito que eu queria. Engraçado pensar que mal lhe conheço, mas já imagino como seria o dia em que a gente brigasse. Eu me sentiria mal, iria até você e pediria que me desculpasse. Então ia ter seus braços em torno de mim, dizendo-me que está tudo bem, que você também não consegue ficar de mal comigo. Penso em como seria assistir um filme em uma tarde de chuva, nós dois no sofá, você trazendo o cobertor para nos cobrir, o seu leite quente, o meu chá, e a minha cabeça encostada no seu peito (o lugar ao qual ela sempre deveria ter estado). Para o dia de hoje, não tenho nada: nem idéias, nem palavras, nem mesmo muitas atitudes que pudessem fazer com que você soubesse. Mas se me perguntassem sobre o futuro, teria uma infinidade de idéias e poderia escrever um livro sobre como seria a vida com você por perto. Ficar sonhando assim, aos pouquinhos, vai preenchendo os dias com raiozinhos de luz. É divertido armar situações para lhe ver, esperar muitos (muitos!) minutos para apenas cruzar o seu caminho e dizer oi, ficar lhe seguindo com os olhos para lá e para cá, com um descaramento envergonhado, muito mal-disfarçado, parar para ouvir uma conversa alheia toda vez que o assunto é você, viver assim, nessa expectativa, aguardando o dia em que você chegará para dizer: estou começando a me apaixonar. Sabe, talvez esse dia nunca chegue. Quem sabe, nunca deixarei de sonhar com você para construir sonhos com você. É apenas nessa hora que alguma coisa começa a doer, porque (fora arrumar a cama) nada é feito para ser desmanchado. De resto, tudo bem. Muito se pode cozinhar a banho-maria, e essa espera me faz bem. Fique sabendo que você tem lugar em meus pensamentos a cada minuto, e que toda noite sua será boa, porque assim o desejo. Só quero avisar uma coisa antes que o nosso futuro comece: suspense pode até ser, filme de terror, não.
*Jesus! Eu vivo e vivo e vivo sem parar, mas nunca mudo.
Certas idéias/pessoas/coisas serão sempre iguais.

Domingo, Junho 08, 2008

Vi uma lingerie linda na vitrine do shopping com a Rita e a Aline hoje. Com cinta-liga, espartilho rendado, frufru e tudo mais.
Depois passei no Boticário e vi um creme hidratante da linha especial para os dias dos namorados. Sabe aquela coisa que você passa e dá vontade de comer? Então, desses mesmo. E depois, uma vela que derrete e vira óleo para massagem. Um luxo.

Bom, eu nem queria tudo isso mesmo.
Será que dá pra ter namorado só, única e exclusivamente, no dia dos namorados?



**Meninas, falando em Boticário e coisas que a gente passa que dá vontade de comer, uma dica: o perfume Floratta Emotion é desses. Opinião confirmada de três pessoas. Vale a pena tentar.

Domingo, Maio 25, 2008

Não que eu saiba muito, na verdade, o que eu sei é quase nada.

Mas se eu disser que análise sintática me excita, alguém acredita?

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Formatura!

Então, pessoal...


Depois de tanto tempo trabalhando na Sabesp...


Foi a nossa formatura do Senai!

(na foto da esquerda pra direita: Wagner, Tiagão, meu chefinho Wantuil, Kaio, eu, Suzanne, o chefinho do meu chefinho Eng° Ullisses e Aron)

E teve festa!!

Teve gente chorando... Eu não! Eu sou durona!

(na foto: Tiagão, Zé do RH, Márcia, eu e Aron)

E amigos que nunca vamos esquecer...

Bom... mas para quem for sentir muito a minha falta....

o Kaio e eu estaremos por lá até dia 30!


o/

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Clarissa e João







Domingo, Abril 20, 2008

"E-mail", lá vai ela a digitar.

"Senha", tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec.

Os dois bonequinhos põem-se a cirandar, e vão girando até cansar.

Não sei se os senhores sabem, mas nos últimos tempos, com toda essa modernidade, os bailes, as praças, as sorveterias e matinês ficaram tão esquecidos quanto bolinhas em vestidos; não digo rendas, porque há algum tempo elas reapareceram: "o estilo vitoriano está de volta", pretextearam as revistas. Conversa! Ela usava rendas depois da Vitória, e antes das revistas. Sempre usou, nem que fosse nas roupas de baixo. Aliás, Vitória era o nome da mulher do seu pai, que ela foi conhecer aos cinco anos. Só que essa Vitória é japonesa, e não usa rendas. Se o assunto fosse quimonos ou saquê, a Vitória-mulher-do-pai ganharia. Então, como bolinhas estão mais esquecidas que rendas ou motivos psicodélicos, a nossa comparação continua, com sua licença, a partir delas mesmo.

Pois bem, foi-se o tempo em que na Praça dos Amores, nos domingos à tarde, moças de um lado e rapazes do outro, iam para saber dos mexericos, fazer amigos, jogar conversa fora e arranajar pretendentes a futuro-marido-perfeito. E as horas passavam no encanto das pernocas de fora disfarçadas em meias de seda, laços de fita e cabelos modeladinhos com esmero. As bolinhas pipocavam dos vestidos que zanzavam para lá e para cá. Pipocaram tanto elas e zanzaram tanto eles, que ganharam todos um bigodinho charmoso e uma garbosa gravata borboleta para que fizessem par. Tanto que descansam hoje, vestido e gravata, no mesmo fundo de baú empoeirado, na casa de seus antigos donos, junto com amarelados retratos e costumes que não se usam mais.

Todo o verde e vida da praça deram lugar a um espaço de alguns centímetros quadrados e frio. Cada lado deve medir pouco mais que um palmo dela, que tem exatamente quinze centímetros quando está bem espichado (porque fez aula de piano quando era pequena e teve de dar um jeito para que os dedos alcançassem as teclas... mas de que adianta que o polegar e o mínimo consigam fazer essa proeza quando já nem se sabe mais que nota tocar?).

Sua praça estava na tela. Freqüentadores escolhidos a dedo. Até mesmo para os desconhecidos havia um bom motivo, nem que fosse um pedido da irmã. A praça ali, e ela fora da praça, não queria falar com ninguém. O céu todo pesado de nuvens prestes a se desfazer em água, colocava névoa em seu espírito, e nos seus olhos, água também ia se formar. Não tinha razão aparente: seu estranhamento era parente da tristeza do céu.

"Menina bonita!"

Arrancaram-lhe um sorriso e um olhar interessado.

"Oi!"

Vejam só, arrancaram-lhe palavras também! O que não era fácil, lembremos. Cadeados emperardos são emperrados, pombas! E quem decide se será aberto ou não a não ser o próprio cadeado?

Entre tantos passeadores e freqüentadores da praça, havia um de quem ela gostava. Não era o que vendia pipoca, nem o senhor que leva as crianças para andarem em cavalinhos. Talvez tivesse um realejo, quem sabe. Não que ela tivesse visto um, mas imaginava ser possível. Certeza mesmo é de que era um mágico de cartola, capa e tudo. Pegava uma palavra aqui e ali, colocava na cartola e, abracadabra!, lá apareciam linhas de palavras vivas e coloridas, que já foram prisioneiras de dicionários roídos de traça e livros novos cheirando a tinta. Mas não era só isso. Tinham gosto de luz do sol e de estrela, e vejam que ela nunca tinha provado sopa de estrela, nem suflê de luz do sol.

Era encantador para ela.

"Um dia desses eu poderia me apaixonar perdidamente pelo dono dessas palavras. Mas hoje não, e talvez, nem amanhã."

Voltava os olhos sorridentes à praça e escolhia o banco mais bonito e florido para sentar. mas o céu continuava escuro; desejava ela pegar seu espírito pela pontinha dos dedos, delicado como uma teia de aranha, e dar-lhe um banho na fonte ou estirá-lo na primeira fresta de claridade que rompesse as folhas das árvores. Depois de claro e renovado, colá-lo-ia com beijinhos e mais beijinhos de volta ao corpo até que ficasse bom.

O mágico perguntou o motivo da tristeza sem nome e sem certidão que estampada estava nos olhos dela. Não que ele pudesse ver os olhos, mas é que era um mágico, como já expliquei, talvez tivesse o dom de ver através das coisas.

"É o tempo", foi a resposta.

"O tempo?"

"Sim. Acho que minha alma está cinzenta. Como o céu."

O mágico começou a dizer algo. E ela esperava feliz, alguns segundos daquele ansioso contentamento, a sensação de asas de borboletas roçando seus braços e mãos fazia cócegas, e ria, então, por dentro. Até que aparecem as queridas linhas nas quais os olhos se detêm.

"Talvez você não esteja cinzenta. Talvez a tua alma seja transparente e se deixa envolver pelas nuvens lá de fora."

Dessa vez ela sorriu por fora. E naquele dia de chuva e frio de julho, o mágico foi promovido a príncipe, e ela amou o príncipe por algumas horas.

Respirou fundo o ar da praça que agora era fresco e claro e luminoso. O sino da catedral bateu as horas, e oh, céus!, era tarde e ainda estava de pijama! Como os senhores viram, já não havia mais vestido, muito menos bolinhas, um desleixo só! Ainda bem que na praça podemos escolher o tempo de nossa figura, nunca envelhecer, ou engordar ou ter um dia de cabelos indisciplinados e olhos de noite mal-dormida. O que não muda são as idéias, o jeito que o coração se veste para passear. Isso não se muda, nem se escolhe muito. Apenas acontece, e esperamos que a sorte abra (ou feche, por que não?) os olhos de quem os vê.

Pediu licença ao príncipe para partir. Ficariam agora muito longe, ela talvez deixasse de ser ela e não sabemos se o mágico continua príncipe. Despediu-se com uma reverência tímida e acanhada, virou as costas e foi. Dizem por aí que, depois disso, ela tomou banho e trocou o pijama por outro pijama, mas ninguém sabe dizer se é verdade ou não. Dizem também que ela se apaixona pelo príncipe novamente, toda vez que o encontra. Mas também ninguém pode ter certeza. Mais um desses cadeados emperrados que esperamos que o tempo ou sua boa vontade abra.

E eu, a contadora de histórias (e principal mexeriqueira) da praça também fico por aqui. Até logo para todos, e por favor, cuidado com a grama.

Sábado, Abril 19, 2008

Ai, Jesus!
Hoje eu ia ao teatro, mas sabe, começou a fechar o tempo e a cair uns pingos teimosos. Então fiquei em casa, mexi em algumas coisas do blog, mas ainda não está do jeito que eu quero. Talvez depois, quando eu criar coragem, ainda assista os filmes que aluguei.

Hmm... certo, não é verdade. Não fiquei em casa só por causa da chuva. Quando eu coloquei a roupa, surgiu, assim, não sei de onde, um enorme pneuzão na minha cinturinha. Estou digitando e olhando para baixo, abismada com as proporções que esta coisa está alcançando. Não teve salto que salvasse! Quando eu começo a ficar mais... fortinha, é só por um salto que a aparência delgada e longilínea voltam, e, céus!, como eu amo esses adjetivos. L-O-N-G-I-L-Í-N-E-A, além de passear a língua pela boca voluptosamente (sim, eu gosto de volúpia e todos os seus derivados), cria na sua mente a própria imagem Gisele Bündchen.

E, para minha infelicidade, estou nada longilínea. Na verdade, rechonchuda seria a palavra.

Argh!

Aí vem uma dúzia de hipócritas dizer que não importa uns quilos a mais.

Mentira, viu? Tuuuudo mentira.

Se você não tem um enorme par de peitos leva o dobro de tempo para alguém te dar alguma atenção. Digo isso porque a maior parte dos meus amigos são amigOs mesmo, e foram eles que me contaram.

Estou começando a achar que e o jeito vai ser levar esses pneus até o quarto, vestir meu vestido de puta e dublar a Rita Lee cantando Lança perfume para o espelho. Dá até pra fazer uma coreografia obscena.
^^

Gorda e tudo, a noite promete!

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Esses dias achei uma foto que foi tirada em 1996 na minha escola. Eu sentada na carteira com aquele sorriso bobinho de criança. Essa foto foi a capa do meu caderno de redação daquele ano. Com aquela idade o meu maior sonho era ser professora, mas com o passar dos anos eu fui trocando de sonho. Culpa desse mercado de trabalho instável, oras!
Tudo bem, provavelmente serei professora mesmo. Aí, peguei a tal da foto e coloquei dentro do caderno da faculdade, para me dar estímulo, sabe? Aquela menininha queria ser professora, e eu tenho a obrigação de realizar esse sonho bem realizado.
A Sandra, abrindo o caderno, olhou e disse:
"Noooooossa, cara! Essa é você?"
"Sim."
"Olha que descabeladinha, judiação... e você nem tinha dente direito! Olha que tamanhinho de dente!"
Eu ri.
"E olha a cara de psicopatinha, né..."
Tudo no diminutivo!
Bom, eu podia viver descabeladinha, ter toquinhos de dentes e olhar feito uma psicopata.
Mas eu era feliz.
E ficaria mais feliz ainda se soubesse naquela época que o maior objetivo da minha vida de seis anos seria verdade.


(...)

Isso se eu não mudar de sonho até daqui dois anos.
^^

Sexta-feira, Março 21, 2008

Facilitando as coisas

Sabe, devia ser mais fácil seguir a Jesus.
Ele poderia aparecer para mim um dia e dizer:
"Olha, Clarissa, eu sei que você se sente sozinha na igreja. E não é fácil fazer a coisa certa sozinha quando para fazer o que é errado existe muita companhia. Seus amigos casaram, foram embora, e você ficou aí. Então, o plano é esse: para você não ficar sozinha eu estarei com você o tempo todo, as outras pessoas não vão poder Me ver, mas você vai. Sábado à noite, se você não tiver nada para fazer, a gente escolhe um filme, compra chocolate e fica assistindo na sua casa. Depois podemos conversar e eu te coloco para dormir."

Terça-feira, Março 18, 2008

E o feitiço virou contra o feiticeiro...

Ahn... muito bem.
Comecei a semana bem puta da vida. Imagine que você um dia você gostou de uma pessoa, e por uma série de motivos, não deu certo. Muito bem. Imagine que essa pessoa, assim do nada, decide aparecer de novo na sua vida. Liga, quer saber de você, quer te ver.
Imagine agora que você faz a besteira de insistir num flash back idiota de uns dois anos atrás. Fica toda sentimental, perde o apetite, cheia de borboletas no estômago.
Então, como tinha de ser, o cara some. E você liga pra ele. Resultado: ele não te dá a mínima bola e te trata com toda a frieza do mundo.
Agora eu ganhei o meu, não?
Tá bom, eu mereci essa.
E chega de falar nesse assunto.

Sexta-feira, Março 07, 2008

Sobre o meu bisavô

Já te contei alguma vez sobre o meu bisavô? Penso que ele foi a figura masculina mais importante de toda a minha vida. Ele era alto barbaridade e beeem magrinho (mas era por causa da diabete). Acho que depois da minha mãe, ele foi o único a se importar mesmo comigo quando eu era pequenininha. Quando eu nasci ele já tinha mais que 80 anos, sabe? Morreu com 93. Mas era lúcido e esperto, e gostava de conversar comigo.

Na outra casa em que eu morei tinha um sofá e uma poltrona na sala. O vô sentava na poltrona, eu no sofá, e eu pegava minha nada pequena bola cor-de-rosa e jogava pra ele, daí, ele jogava pra mim. E ia assim, a tarde inteira. Às vezes minha mãe gritava lá da cozinha pra eu deixar o vô descansar, mas ele não ligava e continuava brincando.


Sabia que ele ia toda manhã até o supermercado pra comprar danone e bolacha recheada pra mim? Bolacha de morango era a minha preferida. Além de sempre pedir o troco em balinhas.

^^

Eu tenho o sobrenome dele ainda. O Thomaz do meu nome é o Thomaz do nome dele, que ele trouxe de sua família, lá de Portugal. Na verdade, o nome dele era Francisco Thomaz Barateiro, mas a minha bisavó não quis pegar o "Barateiro" e ficou só com o "Thomaz". Que coisa, não? Os meus tios-bisavôs vieram para o Brasil e depois voltaram para Portugal. Meu vô ficou porque montou uma mercearia em Mogi das Cruzes. Eles eram de um vilarejo chamado Castanheira de Pêra, perto de Moita. Já procurei na Internet, mas não achei muita coisa. Um dia eu vou pra lá, comer peixe e pão com vinho, do mesmo jeito que o meu vô fazia quando ia trabalhar nas terras que a família dele (que é a minha tambèm! A nossa família, melhor dizendo) tinha.


Uma vez ele me contou que em Portugal não havia abacaxi. E ele amava abacaxi, mas só comiam em ocasiões especiais porque era caro, importado do Brasil. Ele pensava "ah, quando eu for para o Brasil, vou sentar numa árvore de abacaxi e passar a tarde lá em cima comendo quantos eu quiser!" Que frustrante foi chegar aqui e ver que o pé de abacaxi era pequenininho de tudo, mais para uma moitinha do que para árvore!

Sabe, meu vô tinha uma preocupação com quem andava descalço. E na época, tinha muito daquelas sandálias Melissa de plástico que são transparentes. Toda vez que me via ele dizia com o sotaque bem carregado:


"Por que estás a andar descalça, Clarissa? Vais pegar um resfriado!"


"Não tô descalça, não, vô! Olha, minha sandália que é transparente e não aparece."


Em 1995 o SBT passou uma novela baseada no livro As pupilas do senhor reitor, e o vô me chamava para assistir com ele e contava pra mim que ele tinha vindo de lá. Eu ficava sentadinha no sofá, achando bonitos os vestidos compridos e rodados que a Guida e a Clara usavam.


Em 1996 meu vô morreu. Todos esperavam que isso acontecesse mais cedo ou mais tarde. Mas eu não. Chorei muito, muito, muito. Por muitos dias.

Sabia que ele deixou a pensão dele pra mim? Ele disse para minha mãe que enquanto ele estivesse vivo ele cuidaria de mim, mas quando ele morresse, o que seria de nós? Ele conhecia meu pai (que é neto dele), e sabia que nós não poderíamos esperar nada dele. Até com isso ele se preocupou.

Sabe, eu acredito no Céu, que Deus um dia vai ressuscitar todas as pessoas boas e levar para morar com Ele. Espero de coração que meu vô esteja lá também. Quando eu poderei reencontrá-lo e não me separar dele nunca mais.

Quarta-feira, Março 05, 2008

Conclusões de uma auto-psicanálise furada - Parte III

Você demora mas vem, hein?
Parece que você não escutou nada do que eu disse da primeira vez. E cometeu o mesmo erro. Não serei eu quem vai dar conselhos. Você conhece o caminho.
Então quer dizer que você chorou hoje no trabalho na frente do seu chefe? Sabe, você deve estar envergonhada com a situação, mas não há motivo para isso. Chorar é humano. Muito melhor é você que chora do que os outros que são grossos com as pessoas. Na hora da pressão, do nervosismo é perfeitamente natural que isso aconteça. Você tem três "chefes" agora. Precisa atender os três, e ainda mudou toda a sua rotina. São atividades novas, não é você que é uma absoluta incompetente. Ou você acha que todo mundo que está lá já entrou sabendo?
Relaxe. Não se envergonhe de dizer que não dá mais.
E não vá pra faculdade hoje. Fique em casa e desestresse.
Ahn... não, não precisa pagar essa consulta surpresa separadamente.
Avise a Janete que fui eu quem disse.
Até mais.

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

O dia foi tedioso do começo até o meio. O fim ainda não chegou.
É. Biprofenid é um analgésico extremamente potente. E deixa você meio sem noção do tempo, do espaço, de tudo. Notei quando acordei e fui esquentar um leite quente. Ao abaixar para colocar o copo no microondas, a porta dele quase veio de encontro ao meu nariz. E eu não entendi bem como foi aquilo.
Ainda estou sob efeito do remédio e perdi a vontade de escrever.
Em plena sexta-feira...

Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

Conclusões de uma auto-psicanálise furada - Parte II

Mais problemas, hein?
Certo... você já notou que a instituição mais importante da sua vida foi a escola? Mais do que a igreja, a família ou outros grupos sociais nos quais você pudesse estar inserida. A escola fez o papel de lar, já que o seu não correspondeu às suas expectativas. É perfeitamente natural que você tenha esse desejo por continuar nela pelo resto da vida. É por isso que você quer tanto ser professora, não?
Você já admitiu que costuma ter medo do que é novo, mas se adapta bem. O seu problema em abandonar a "instituição" escola consiste em muitas mudanças de uma só vez para você. É como mudar de casa, família, amigos e rotina, tudo de uma só vez. No seu trabalho atual, qual é a função que lhe deixa mais à vontade? O telefone, não é? Lá você passa o dia falando, perguntando, explicando como montar cavaletes, a própria fonte do conhecimento. Essa é uma atividade familiar, que você desempenha com certo gosto apesar do cansaço.
Seus amigos têm reclamado do seu silêncio nos últimos dias. O que mudou desse mês para cá, pelo que já foi dito é a sua preocupação com os portifólios e aquele tal concurso que você quer fazer, não é? Muito bem, veja por esse lado: seu maior prazer sempre foi estar envolvida com a escola, o que fez de você uma pessoa muito exigente com os outros nesse aspecto, visto que, da sua parte, vinha sempre o melhor. Avaliar seus professores era um costume, não? Sim... imaginei. E era muito fácil que eles perdessem sua confiança e credibilidade. Depois das abobrinhas que sua professora de inglês disse, você passou a carregar o dicionário para ter certeza de que ela estava falando coisa com coisa. Essa é você.
Olha, preocupar-se com o seu portifólio, o que os alunos vão pensar de você, qual será a qualidade das suas aulas, é uma preocupação saudável. Mas não faça disso uma obsessão. Seus melhores professores também se preocupavam, estudavam, continuaram fazendo cursos, mas nem por isso não ficavam com dúvidas quando você decidia azucrinar os pobres com suas perguntas infindáveis. E detalhe, eles se divertiam também.
Não se culpe cada vez que sentar para assistir um programa na TV. Foi por causa deles que o seu listening ficou milhões de vezes mais apurado do que quando você só estudava todos aqueles tempos verbais.
O de hoje foi fácil. Estude, mas não se mate. Nem deixe de se divertir por causa disso.
Suas aulas na faculdade começam amanhã, não? Só não vá sumir. Veja com a Janete o dia que fica melhor para você.
Até mais.

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Conclusões de uma auto-psicanálise furada - Parte I

Não adianta canalizar toda a dor do mundo para uma única pessoa. Ela não pode pagar pelo que fizeram os outros. O tempo fez com que você acreditasse que é a vítima de sua própria história, bem... você não é. Dizer coisas boas, se apegar aos outros talvez não seja tão frustrante. Algumas coisas dão certo, outras não.
Diga logo que sentiu saudades em vez de grunhir um por-que-você-sumiu-hein?. Abrace, assim, do nada, deixe que deitem no seu colo, que mexam nos seus cabelos, que segurem a sua mão. Tente ao menos se importar quando as coisas forem mal. Não vá para trás da máscara de indiferença. Não se permita sentir esse alívio ao ficar sozinha, você não é melhor na solidão.
Existem pessoas que se machucam, e outras que repensam toda a bondade da humanidade quando você faz uma puta palhaçada dessas.
Não aja mecanicamente como se tudo pudesse ser controlado. Deixe que as primeiras vezes sejam românticas, inesperadas, não-planejadas. Contar os minutos, medir as palavras e colocar-se em posição estratégica nem sempre dão os resultados esperados. E você sabe disso! Sabe, porque depois sempre pensa: "tanto trabalho e nem teve tanta graça assim". Deixe que a ocasião faça a ocasião. As coisas vão ficar mais simples.
Perdoe seu pai e pare de jogar a culpa das suas inabilidades somente nele.
Entenda sua mãe e pare de acreditar que as coisas que você não faz é por causa dela. Você não insistiu na aula de dança até conseguir? Pois é.
Pare de encorajar a sua irmã a fazer as besteiras que você gostaria de fazer. Se quiser ferrar com a vida de alguém, ferre a sua própria vida. Não dê apoio à insanidade, muito menos idéias.
Não ache que é injustiça todas as permissões que seus irmãos mais novos têm e você não tinha. Se eles desfrutam disso agora é porque você brigou, fez birra, e teve competência para convencer as pessoas dos seus direitos. Isso faz de você uma heroína, se pensarmos bem.
Não se cobre muito, estude mais e coma menos chocolate.
Volte na próxima terça às 15 horas. Peça a Janete que agende que seu horário.
Até mais ver.

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

Oi, disse eu.

Oi, disse ele.

Você quer dançar bolero?
Não... não sei dançar.
É fácil, eu ajudo.

Tudo bem. Vamos lá, então.
Conversa vai, conversa vem.

Posso beijar você?, disse eu.

Nããão! Eu tenho namorada, Clarissa!

Ah, mas eu vou... [sorrindo faceira e desavergonhada que só vendo]

Não, para com isso!

E lá fui eu. Quando estava a um centímetro da boca, ele me interrompeu e me pôs sentada única cadeira do lugar não-identificado até agora, todo branco por sinal, com ares de céu, de nuvem, não sei.

Desculpa por tudo o que eu te fiz passar, mas não dá. Eu tenho namorada, gosto dela.

E daí?

Shhh...

Deu-me um beijo demorado na testa, virou as costas e se foi.

Acordei assustada. Quando pude abrir os olhos direito, duas lagrimazinhas quentes correram para a barra da camisola lilás.

E foi assim que fiquei esquisita o resto da semana (mas agora estou melhor, para no caso de alguém se importar).

Essa garoa, esse tempo frio e o nescafé demasiadamente amargo deixam a gente assim, com espírito de fossa. ^^

Eu sei, ando bem sumida esses tempos. Mas tudo por uma causa nobre.
Estou montando meus portifólios de aulas e não é pouco material.
Bom, logo serei a professora Clarissa. Ai, que emoção!

Estou sumida por outros motivos também, que não têm muita importância.

A geladeira está cheia, tem travesseiro e almofada na poltrona, e coisinhas para ler espalhadas pelos móveis. Quem quiser, sinta-se à vontade para espalhar-se pelo blog e ficar por aí até a hora que cansar. Eu estarei estudando. Lá no meu quarto.

o/

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Promoção!

Ahhn...
Acho que fui "promovida".
De ajudante-telefonista-atendente-tagarela para secretária-do-gerente-enfiadora-de-coisas-em-malotes.

Ano novo, vida nova e tals.